Textos críticos

É difícil definir a obra de Eli Heil. As definições representam um limite e uma racionalização de idéias que se contrapõem frontalmente ao princípio gerador da sua obra, por si ilimitada, explosiva, delirante. Termos como: “arte ínsita”, “expressionista” e “surrealista” vêm sendo empregados para classificá-la. A verdade é, porém, que os trabalhos de Eli Heil são para serem sentidos e não para serem definidos. Diante deles somos envolvidos por formas que vibram, cores que transbordam, mágicas criaturas - suas personagens - que saem dos limites da materialidade para gesticularem ou virem até nós.
Adalice Araújo

Dona duma sensibilidade agudíssima, duma inventividade sem limites, a artista catarinense criou um verdadeiro universo indissolúvel, no qual a presença das obras de ontem é condição indispensável para a criação de hoje e de amanhã. Não quer isso dizer que Eli Heil busque na produção precedente estímulos, estilemas, fórmulas. Ao contrário, recusa-se a fazer o que já fez, uma vez que para ela o trabalho artístico é um contínuo “renascer”, é um “abrigo das maravilhas” que não se podem repetir, sob pena de perder seu encanto.
Annateresa Fabris

Eli Heil pinta tudo o que a rodeia com uma prodigiosa paleta visionária. Sem saber, ela é uma pequena irmã dos grandes expressionistas alemães Marc, Kirchner, Macke e pequena irmã, também, pela paixão da cor e as formas torturadas dos seres e das coisas, de Vincent Van Gogh.
Corneille G. B.

Eli Heil transpõe o mundo a seu jeito, numa frugal abundância de cores amasiadas com formas em rítmica vibração. Segura de que seus óleos e desenhos, sedativos de transbordamento psíquico, correspondem plenamente à linguagem expressiva de uma arte trajada pelo impacto multicor.
Danúbio Gonçalves

... uma artista absolutamente única, extraordinária
Fábio Magalhães

Eli Heil é uma artista em que temos que reconhecer a boa imagem trazida à tona de uma voluntariosa criatividade. Não temos a veleidade de saber onde começou essa caminhada - ela descobriu os próprios rumos.
Geraldo Ferraz

Como autodidata, sem qualquer formação teórica, a força da artista é puramente instintiva. Colorista excepcional, com um sentido compositivo surpreendente, pode-se tranqüilamente usar a palavra fenômeno, com relação a Eli Heil, como se pode falar em fenômeno a propósito de Jheronimus Bosch.
Harry Laus

Por ser uma artista vinda de um ambiente bastante simples e sem sofisticação, Eli trouxe inteira, para sua arte, uma sensibilidade pura e instigante, que sem ser censurada por uma série de reservas a que as pessoas cultas se impõem, nos legou uma das obras mais inquietantes e vitais que conhecemos. Este fato, aliado a um poder criativo e expressivo praticamente inesgotável, deu ao trabalho de Eli uma originalidade e uma força sem paralelos no quadro de nossas artes plásticas.
Jandira Lorenz

Substância nunca lhe faltou; nem a linguagem específica, nem o poder comunicativo, três qualidades, básicas da expressão artística. Exigir que ela se enquadre na vanguarda, que abra algum caminho, seria ingenuidade. Quem mexe com as camadas profundas da alma humana tem o direito de não atingir ou de exceder os requisitos protocolares da arte, digamos, oficial. A arte pode e às vezes deve ser incômoda.
João Evangelista de Andrade Filho

Sem nenhuma instrução e sem qualquer cultura visual, sua pintura equivale a uma confissão ou a um desabafo. Ou, melhor dizendo, a um exorcismo, mediante o qual tenta acalmar seus demônios internos, que insistem em sair da tela ou do papel para ganharem uma vida própria, funcionando ela assim como uma espécie de médium.
José Roberto Teixeira Leite

A poesia mora e comemora em suas obras.
Lindolf Bell

Uma criadora compulsiva, fascinante ...
Olívio Tavares de Araújo

Não há limite em seu mundo imaginário. É a liberdade que determina todo seu processo criador. É possível afirmar que a artista não tem nenhuma influência de nenhum capítulo da história da arte. Ela cria seu próprio estilo, sua simbologia pessoal, e o impacto dessa força criativa multiplica-se em tudo aquilo onde repousa sua visão estética.
Osmar Pisani

Sendo todo o seu trabalho em arte uma forma de conjurar fortíssimas pressões mentais a que está submetida, observa-se nele a presença freqüente de estruturas mandálicas e o recurso à animização do inanimado (o casario se transforma em gente, janelas - olhos nos fixando), além de uma característica fauna fantástica acompanhando esses rostos extremamente intensos em cor, espanto e tensão. É curioso observar ainda, na evolução do desenho e da pintura de Eli Heil, a obediência intuitiva ao rumo de superação do plano pelo espaço tridimencional, inclusive como meio de atenuar a violência alucinatória das figuras que ela diz “saírem” do papel ou da tela, envolvendo-a no ato de criar. Assim, após os primeiros trabalhos em superfície inteiramente bidimencional, as pinturas vieram adquirindo relevo no manejo de sulcos na tinta, até chegar ao acréscimo mais recente de bonecos de enchimento aplicados sobre o plano trabalho da tela; nesse caminho, suas peças mais elaboradas são as tapeçarias-objetos atuais, onde continua preservando a deformação ingênuo-espressionista nas máscaras de alucinação violentamente coloridas, como registro direto do inconsciente fluindo.
Roberto Pontual

Estamos diante de um verdadeiro e inédito fenômeno de criação: Eli Heil. Numa terra de primitivos e tantos falsos primitivos, eis uma raridade, uma criatura que arranca do seu inconsciente todo um gemido humano e adequa um novo processo instrumental com que suprir a sua consciência do não-saber-fazer convencional. Constatamos que em artistas como ela a criação brota como vertente, como a linfa pura do inconsciente, de repente comandado por forças que não podemos rotular e que nos esmagam pela grandeza de sua verdade.
Walmir Ayala

O tempo é uma função onipresente de seu espaço: ela o inscreve nesse universo feérico de cores “fauves” (aplicadas à tela por um pequeno estilete) e ele escorre no ritmo ondulatório do desenho de impressionante peculiaridade psicológica. Somos captados por essa atmosfera de despaisamento, sentimo-nos nos limites da alucinação. Uma organicidade lógica aferra, porém, todas essas imagens oscilantes que na evolução da artista partem sempre de sua vivência interior, razão de sua admirável autenticidade.
Walter Zanini

Uma maravilhosa marginal é Eli Heil, de Santa Catarina.
Nise da Silveira

É figura exponencial não apenas da arte catarinense, como também da criação brasileira do século XX.
Lélia Coelho Frota